MINHA ESTRADA, MINHA VIDA, MINHA HISTÓRIA
Joab Anacleto
Várzea, 2009.1 Pedagogia
Medo, ansiedade e uma angústia no peito
O que fazer nesta escuridão
O frio da noite e a grande incerteza
Me fazem sentir o horror da solidão
Saudades de casa, da minha vidinha
Sussurros de gente que assim como eu
Vão sendo levadas ao fim desta linha
Para uma estrada que não conheceu
É triste viver o que não escolhe
Não há quem não sofra, com tal realidade
Vou sendo levado e não há quem me olhe
Sou fruto da ignorância de uma cega humanidade
O vento da vida me sopra veemente
Não sou o que quero, sou obra do ontem
Sou fruto do que o mundo plantou cegamente
E hoje não vê, nem jamais quer que conte
Sou um dicionário jogado nas águas
Palavras existem mas não são avistadas
Perdeu seu valor com angústias e mágoas
E agora o que serei, uma história que não será contada
Sorrisos e brinquedos apenas lembranças
Estou vivendo o presente, sem ter vivido o passado
O tempo levou minha esperança
E apenas o que me resta é ficar calado
Viver como um pássaro dentro de uma gaiola
É desumano, perverso, nos tira a vida
Não conheço alegria, paz nem escola
Só me restaram lágrimas, e com elas tento sarar as feridas
Me lembro um dia quando me venderam,
E a vida tem preço, às vezes me pergunto
O preço da vida sabe os que enfrentaram
Os maiores desafios, e venceram o mundo
Sou preso a correntes que a vida me deu
Presentes amargos que saboreio amargamente
Aprendi a gostar do que não e meu
E viverei assim para sempre , aprendi a viver diferente
Encerro esta carta, e peço não chore
Viva a sua vida e não me ignore
A vida e bela, mesmo sendo assim,
Faça diferente, não se espelhe por mim
E durante alguns conflitos, ainda semeei esperança
Quem sabe um dia colherei,
O fruto do hoje, amanhã conhecerei.
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